ativismo, poesia e o que mais eu quiser.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

APOCALIPSE

"O Grande Dragão Vermelho e a Besta do Mar"
William Blake
aquarela
1804

As serpentes e dragões que devemos temer não virão de regiões ermas, mas dos maiores centros; não serão assustadoras, mas naturais; não serão sensacionais, mas discretamente indissociáveis de nós mesmos...

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Cosmocêntricos


para Jessica Gonçalves





 Destilo de teus olhos a esperança, do tato de tua pele o amanhã, de tua voz o perene... Mas de teus lábios, musa minha de ônix ígneo, um não sei, um inebriar-me, um desconhecido que leva minh'alma fora do universal movimento das esferas, rumo a fazer de eu e você... Nós dois.


Dario Pendragon

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Cairão


Cairão dez mil à sua direita e dez mil à sua esquerda... Milhares de milhares à sua frente e incontáveis atrás de ti... E cairá você também. E levantarás e voltarás a fronte imunda do pó do chão aos céus nublados e ao futuro nublado e passo a passo continuará com grunhidos, rosnados, gritos, sorrisos, louvores e lágrimas... Pois pela tua carne e espírito, da escuridão vieste, legado à vida com o fardo da humanidade, armado de honra e em busca do absoluto. Ainda mais que o fim, teu maior destino é o caminhar...

 Dario Pendragon

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O tal do Tao


Penso eu...

Ser é o que importa, porque importar-se com o não ser seria um movimento yang a um fim yin. A ausência não é perceptível, assim como não se descreve concretizando o abstrato. Heteronômio seria ser o que não é até a fusão de sê-lo não sendo mais (heteronomio)?
Seguimos, buscamos sendo em processo de natureza naturante. Quando naturada, deixamos de sendo para ser, então, findo o movimento, não somos mais. Do três pelo dois ao um que, sem o dois, é o nada.
Penso que o valor é sim mutável na medida em que percebemos mais claramente a realidade e suas importâncias, e na medida em que caminhamos, e com ele mudamos porque somos o caminho mais que o destino, a persona muta em personalidade naturante. O quanto a pessoa é uma só sustentando e vivendo verdade sobre o que é, é o que a torna inteira, sendo o que é sempre, é uma só, inteira, donde íntegra. E esse sustentar de si mesmo, não moldado pelas circunstâncias o próprio código de honra, é o caráter.
E quando o abstrato e o concreto se encaixam harmonicamente, branco e preto em círculo hermético, estando um no outro presentes, e o movimento perfeito tão perfeito que estático, e a vibração tão rítmica que análoga ao imanante pré princípio, não mais adjetivável, deixa mesmo de, após transmutar, substantivo, pelo incognoscível ao (tao)... incomensurável.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Palavras




Palavras
Uso quando falo.. quando poeta me escorrem da boca...

me fogem, me privam, delatam, devoram
me são e me negam
me iluminam e me escuridão
quando silêncio me plenam
quando grito, não.





Pessoas pessoando

Descobri e sempre afirmo que amo as pessoas pelos defeitos. Isso é o que as faz pessoas pessoantes... A perfeição busco com a monotonia de quem deseja a eterniadade entre o cair e o voar.
 Mundo, me viva!



segunda-feira, 23 de julho de 2012

Bel

-obra e autor desconhecidos-

Tuas várias faces com ou sem cores
Marcadas na sensualidade bonita que trazia
Os olhos da Vênus e a boca calada na poesia
Meus desejos sonetos, ela pra mim elegia
Encontrá-la-ei em amores e ardores
Como o destino se me acometia

Múltipla face, belas palavras, ame
De onde a mirei, ninfa da poesis que excita
Rôta minha rima pela carne que fremita
Te desconheço mas meu instinto acredita
Que já és em mim como em Beltane
Tornemos santa a luxúria maldita


                                     Dario Pendragon

terça-feira, 17 de julho de 2012

Eu Me Confesso

"Eden"
Kris Kuksi

técnica mista



Eu me confesso..
Confesso minha beatitude ao avesso 
Confesso minha alegria torpe e irascível 
Confesso que nem lágrima mereço 
Confesso o barbarismo sensível 

Eu me desfaço... 
Desfaço a oração e a fé 
Desfaço o poeta e o menino 
Desfaço a crueldade ralé 
Desfaço esse verso sem tino 

Eu me amordaço... 
Amordaço o coração delator 
Amordaço o grito no escuro 
Amordaço o fraco e a dor 
Amordaço esse cântico impuro 
Amordaçoamor...


Dario Pendragon

Recitado:


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quinta-feira, 14 de junho de 2012

Profanoração do Maldito

Cala-te Morgana ao avesso, e na minha boca costurada em farpados arames cala o urro que não bramido fecha as brumas mandando o Avalon ao inferno... A magia apodreceu junto com os deuses, e já não me interessam outros mundos de outras fétidas nuances da humanidade, filha torpe de deuses cômicos...
Somente ainda malditos sonhos empesteiam minha alma como insetos... E o verme da esperança é imortal, como tudo o que sofre, e ri de meu calvário e já nem sei mais se são aberrações... ou se serei eu.
E que nada a não ser palavras toque nenhum estúpido com réstia de bom-senso, já que nenhuma maldição faz sentido, por não ter promessa mais amarga que a realidade.
Em nome da vaidade, da tristeza e do amor...
Amém

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Ração de Ego



Nada mais que uma matilha de chacais a pretensa sociedade atual. Não há lealdade maior que o interesse nem sensibilidade maior que o ego.
  Sôfrega trôpega, a honra balbucia cânticos semi esquecidos de esperança ao pó da terra amaldiçoada, e seus ecos são delicadamente oferecidos de volta embrulhados em falácias, com mais um anzol a perfurar a boca ímpia que escorre de iras caladas por tristes frustrações...
  Mas não é a miragem que esmorece o beduíno, pois que é feita de ilusão, e não sólida e eterna como meu caráter. E caiam como trigo os espíritos detritos envoltos em corpos vistosos e meneantes olhares magnéticos; não perderá em mil mortes o fio da espada de minha dignidade!
  Aos que têm fome de vaidade, ofereço-me a devorar, embora não seja eu ração de seu ego, mas é infinita a generosidade da fonte da completude de onde alimento a vaidade te enchendo de mais e mais vazios.
  A fome eterna dos vivos-mortos, reais em corpos e mentes procuram almas, pois da sua perdida, vendida por imagens, o sustentáculo do digno, caráter, ética, honra, da verdade, lealdade, honestidade, clareza, do íntegro, verdadeiro, transparente, generoso, construtivo, prestimoso, do mútuo, aliado, da empatia; veio a beleza da imagem em fantasia, ladeada por mentiras douradas, toda sorte de brilhantes orgulhos e jóias estereótipas... Feitos de vazios, têm fome de aprender em uma língua que já não compreendem, não podem agarrar o que desejam obter com suas mãos tão afeitas a acariciar que não mais são capazes de amparar, olhos pidões que vêem aparências mas não expressões, embora distinguam entre brilhos de pedras preciosas e lágrimas, observam sem enxergar, desejam sem mais saber querer um sentir que não cabe mais em um coração que já não bate, negocia...
  O irmão ao seu lado está em pé, mas entremeia o olhar paralelo ao seu, mirando um mesmo horizonte em destino, com furtivos olhares perpendiculares a vigiar-te... A mão que pede clemência oferecendo espinhos de curare te chama a brindar com cicuta por tua própria desgraça regada a lágrimas sem sal ou sentimento, mas com objetivos...
  Onde estarão os bravos do punho cerrado e dos fios do bigode e da navalha? Onde estarão as filhas da Lua de sentimentos, planos e esperanças? Onde estarão os astros que todos já me parecem cadentes onde não sei mais o que é universo e o que é soberba?
  Ainda serei eu o maior e último dos idiotas, e nunca haverá uma decadente humanidade que não tenha provado o gosto da minha integridade e ficado em pé. Matarei a todos sem crueldade, pois que morrerão no cáustico horror do reflexo em espelho de Medusa.
  E será divindade o que terei, ainda que sozinho, se esta for minha sina; mas não me renderei ao senso comum de devorarem-se as carniças.
  Do suor, vinho; do pó da estrada, gozo; das ilusões, possibilidades; do impossível, arte.
  E deuses, sigam suas naturezas e dêem-me o que acharem por bem. Não lhes dirijo apelos ou lamentos; troçando ou testando, desaprovo esse meio, pois íntegro os segrego lugares ao meu lado. Acima de mim, só o céu infinito.
                                                                  Dario Pendragon  



segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

RECUERDO



(para Mariia Sajoux de Patagônia)


Te tengo como un recuerdo...

Sus ojos me recuerdan el Mar,
En dias en que no se puede decir si és agua o ausencia.

To sonrisa el Sol,
En dias en que la luminosidad de la aurora y los colores del crepusculo son el parir y morrir de una vida perfecta.

Tu movimiento el viento,
En dias tanto calido como la brisa marina como omnipresente e intenso como una tormenta en alta mar.

Y lo mio saber de tu existencia el sueño que no tuve,
En dias que, por soñarte, no puedo dormir.


  Dario Pendragon en Floripa, janero de 2010

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

INVICTVS - William E. Henley



INVICTVS

(Tradução dedicada a Dario Pendragon)


Cobre-me a noite de veludo,
negra como poço insondável.
A quaisquer deuses eu saúdo
pela minha alma inconquistável.


Que nas garras da circunstância
Não recuei nem deplorei.
E sob os jugos da inconstância
Sangrou-me a fronte, e não tombei.


Além do vale de ira e pranto,
surge o horror do ermo lugar;
a ameaça dos anos, no entanto,
sem temor deve me encontrar.


Como o punir está lavrado,
que importa se é estreito o portão:
sou mestre do meu próprio fado,
de minha alma sou capitão.


Tradução: Wagner Schadeck

Invictus

Autor: William E Henley
Tradutor: André C S Masini

Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.

Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.

Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.

#


Out of the night that covers me,
Black as the Pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds, and shall find, me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll.
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Te Possuindo em Verso e Prosa

“L’enlèvement de Psyché”
William Adolphe Bouguereau
1895
óleo sobre tela


Te Possuindo em Verso e Prosa

Eu lembro que meu poema falava em prosa do teu ventre olimpo, vindo na deusa florada... flôr que em meus beijos emana doce hidromel... sacia minh’alma, ressalta demônios, os alimenta dentro de mim...estão em busca de vingar tal sede insana...
de adentrar tal fonte de vida e morte...
Te penetro como ao teu âmago, e tu respiras como se não soubesse se vivia ou morria...
...mas se você deixar eu mando eu te comer com ou sem métrica... em prosa e verso, soneto e canção...
...com força tapas mordidas e rimas

Dario Pendragon

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Distante

Study for "Death Seizing a Woman"
Käthe Kollwitz




Como precisamos do Sol, do vento, da água...
Precisamos da pele, do cheiro, do gosto, do toque...
Do saber silencioso da presença imanifesta.
Os corpos precisam ter suas emanações entrelaçadas, precisam do saber do encontro iminente.
Minha intensidade nao permite que meras realidades cabais me distanciem das minhas vontades...
Porque meu sentimento é maior que o mundo.


                                                                Dario Pendragon

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Escuridão


Profanei os arcanos mais sagrados
O sangue do meu irmão é belo na lâmina
E na minha mão
Oh Deuses perdoem tantos pecados
Que já tantos outros minha fome atina
Devassidão
A areia tão fina por entre meus dedos se esvai
É quando se me mostra o preço do medo escondido
Coração
Morra órgão maldito, sois tú, rôto e vil, que me trai
Porisso, no fim, tem gosto de sangue o amor sentido
Escuridão

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Audrey Kawasaki

"She Who Dares"
(Ela Quem Se Atreve)
óleo e grafite sobre madeira
2008




"Aisai 1"
óleo sobre madeira
2006

The themes in Audrey Kawasaki's work are contradictions within themselves. Her work is both innocent and erotic. Each subject is attractive yet disturbing. Audrey's precise technical style is at once influenced by both
manga comics and Art Nouveau. Her sharp graphic imagery is combined with the natural grain of the wood panels she paints on, bringing an unexpected warmth to enigmatic subject matter.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Liberdade


É ela clara e ácida que o meu amor declina
Algo de repulsa por meu desejo e arfar e afã
Pela minha boca faminta e minha esperança vã
Por todo calor de querer a flor que germina

Só com esse látego a me sangrar ensina

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Carne da Minha Carne


Doem-me as costelas que te continham, meu coração...
E me dói o tempo, no qual não cabe espaço de ausência forma disforme sem razão
Dos banquetes arrazoa-me a incompletude do ser, metade perdida e encontrada de mim, onde o desparir é antecedido pelo sofrimento atroz
Não estar prenúncio, supernova cremando sóis onde molhas minha carne no gemer criador
Anti-matéria, razão-inversa da entropia cosmocêntrica, desafia o futuro não sendo em mim
Vida se me brota do inerte estar o ser contigo

Nosso amor absoluto em paz e volúpia. Teu começo e fim, perfeição enfim, universo em si.
Minha além do amor primeva e última, portadora do meu sentir, detentora do meu estar, outra parte do meu ser...


  Dario Pendragon 

quarta-feira, 29 de junho de 2011

SINTO VERGONHA DE MIM - Cleide Canton / Rui Barbosa



"Sinto vergonha de mim…
por ter sido educador de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.
Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Contribua ! Divulgue ! Ajude ! Se interesse ! Humanize−se !

Mastigadinho pra você começar simplesmente, sem gastar nada, devagarinho a se informar e contribuir fazendo a diferença por causas nobres e que não envolvem SÓ você.

O mínimo humano que se pode fazer pelo impedimento da construção mais desumana e ilógica da Brasil, só está indo adiante movida por lobbys e interesses obscuros diversos.
 Diga NÃO a barragem de Belo Monte !
http://www.avaaz.org/po/stand_with_chief_raoni/?fp

Você pode se sentir humanamente mais confortável nesse planeta se você souber que não foi totalmente passivo e conivente com um dos maiores assintes a um dos maiores biomas do planeta.
 Diga NÃO ao novo e absurdo Código Florestal !
https://secure.avaaz.org/po/codigo_florestal_urgente/?r=act